Ainda os deputados no Parlamento

Paulo, claro que o seu post é só um pretexto para alargar a questão que destapou. Serviu aqui o seu post de proxy para muitos comentários que ouvimos – com mais frequência agora durante o debate orçamental – que elevam iniciativas dos grupos parlamentares da maioria a oposição ao governo, desentendimento no seio da maioria ou atestado de incompetência ao governo.

O Paulo diz que não a ideia de mexer nas frotas de automóvel do estado não tem impacte substantivo, e tem razão. Aliás foi o próprio Adolfo Mesquita Nunes que disse que era simbólica. Menos simbólicas foram as de mexer no financiamentos das campanhas eleitorais para as autárquicas do ano que vem, reduzir o financiamento à ADSE ou as transferências do estado para as autarquias, por exemplo. Em todo o caso será sempre impossível que um grupo parlamentar vira um orçamento de pernas para o ar – isso estará sempre só ao alcance de quem mexe na massa, e nesse sentido é decepcionante que o governo venha ao fim de 15 meses dizer agora é que vai procurar onde cortar 4 mil milhões de euro na despesa e que entretanto tem de aumentar os impostos para cumprir os limites do défice. Dizer isto não é dar uma machadada no governo ou pôr me do lado da oposição. Aliás a oposição continua alegremente a dizer que não se pode cortar na despesa pública.

Quanto a precisarmos de 230 deputados ou se bastariam menos com outras condições, não sei se consigo ter uma visão objectiva da coisa. No meu grupo parlamentar os recursos partilhados funcionam bem, mas o tamanho ajuda a que seja difícil não se manter ocupado. E olhando para a realidade europeia diria que estamos bem em termos de número.

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