O Google deve dinheiro à Impresa?

Balsemão quer uma entidade gestora de direitos de autor – ou seja uma entidade coleccionadora de taxas – «à semelhança, por exemplo, do que se faz com a cópia privada em Portugal» – livra! – para compensar os media por terem conteúdos que colocam em linha utilizados por motores de busca online.

Fica claro, como de resto na questão da cópia privada, por demonstrar qual é o prejuízo para os media por haver conteúdos utilizados pelos motores de busca. É que mesmo agregadores especializados como o Google News obrigam sempre ao clique até à página do fornecedor da notícia para a ler por completo. Não sei se na Impresa se lêem  só os títulos das notícias, mas não conheço ninguém que o faça. Ou seja, os motores de busca e os agregadores funcionam como fontes de tráfego – e logo lucro para as empresas de media – e não como fonte de prejuízo.

Mas na verdade a questão nem se põe. Os media, como qualquer outro fornecedor de conteúdos, podem, pela utilização dum pequeno ficheiro “robots.txt”, pedir aos agregadores (motores de busca, etc) que não usem a sua informação. Este ficheiro pode ser facilmente colocados nos directórios do site que Pinto Balsemão quer retirar do circuito da Google e companhia e com isso retirar o lucro que a Google  supostamente assaca à custa dos seus sites. (Se o leitor quiser fazer isso ao seu blogue, por exemplo, também pode: deixa de aparecer no Google e afins) Foi aliás isso que – não sei por esta via ou por outra – uma série de jornais no Brasil fizeram – com respectivas perdas no tráfego, claro. Perdas que os operadores consideram satisfatórias e numa solução que por isso satisfaz todos.

O que me parece que Balsemão quer fazer (e não duvido que a UE irá acabar por ir atrás do lóbi) é receber tráfego e o dinheiro supostamente devido. Há, como na questão da cópia privada, uma enorme dificuldade (natural, aliás!) em adaptar uma indústria (nesse caso a discográfica, neste a da imprensa) a uma mudança de modelo de negócio em que os meios e as origens dos rendimentos se alteram radicalmente. O estado, via UE, tem servido de travão a essas mudanças com prejuízo dos consumidores. No futuro poderemos, olhando para trás, ver quanto perdemos por esse atraso.

PS: O link que faço ali ao site do expresso não dá direito ao Dr. Balsemão para nada. Pode vir a AGECOP dos links pedir o que quiser.

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