Cultura

“(…) é uma actividade vegetativa que não gera riqueza e é incapaz de subsistir por si própria. Não faz sentido que continue a ser beneficiada uma minoria e meia dúzia de famílias em detrimento de outras áreas carenciadas como a educação ou a saúde.”

Estas declarações sobre o sector cultural em Portugal são infelizmente verdade, como tive aliás oportunidade de dizer ainda hoje no Parlamento. E, como ainda disse, isso acontece fundamentalmente porque quando há recursos privados – em tempos de vacas mais gordas – o mesmo estado também gasta mais no apoio ao sector, acentuando uma dependência que em tempos de vacas magras se revela fatal para muitos agentes. Tenho uma grande dificuldade em ver um sector que se quer representativo das vontades e dos gostos populares, subsistir apenas graças ao estado e a processos necessariamente burocráticos. Cria-se assim uma pseudo-cultura e frequentemente desprezam-se os criadores que têm sucesso popular e aceitação pública ou como rendidos ao mercado ou como pimba, quando afinal são mas genuínos na representação da  verdadeira cultura dum país.

As declarações que cito acima dizem respeito a uma representação cultural muito particular e muito popular. E por muito fã que sou dessa arte, aquilo que ali é dito preocupa-me. Porque não me sinto no direito de exigir ao erário público que sustente os meus gostos particulares, por muito genuínos e verdadeiramente portugueses que os considere. Curiosamente, no entanto, se aquelas declarações podem ser verdade no que diz respeito a muitos criadores de cinema, teatro, artes plásticas, etc, que não podem subsistir por si próprios e que são, de alguma maneira, beneficiados face aos portugueses que não recebem apoios nas suas actividades, elas erram o alvo quando se dirigem à tauromaquia. Não obstante a existência de apoios a produtores de bovinos, não apoios específicos a gado de lide, como o MAMAOT deixou por escrito em resposta a uma questão do BE. Claro que isto levanta a questão da justeza ou não dos apoios que existem a espécies autóctones ou a vacas – fêmeas – no âmbito do apoio ao aleitamento; mas aí passamos do âmbito da cultura para o âmbito da agricultura e esse é um tema que domino ainda menos que o da cultura.

A festa brava é uma representação cultural que existe graças aos aficionados e assim espero que continue. Outras continuam e continuarão a contar com o estado que, já se sabe, continuará a exercer o seu papel de financiador. Essa discussão fica para outro post.

 

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