“Medidas concretas”

Tenho muita pena, mas se o objectivo é criar mais emprego, aumentar o salário mínimo é o caminho errado. Politicamente pode defender-se um salário mínimo por muitas razões, mas objectivamente em termos de empregabilidade o seu efeito é negativo e atinge particularmente os menos experientes e menos qualificados.

Analogamente podemos imaginar um estado em que se fixa administrativamente o preço do pão (já foi assim cá), e o governo decide aumentar esse preço administrativo para beneficiar as padarias. Como consequência, as padarias que produzem pão com menos qualidade ou com menos peso ou pão mais feio ou mais “barato” aos olhos do consumidor sairiam naturalmente prejudicadas porque os consumidores iriam procurar as que corresponderiam, no produto final, melhor ao novo preço mais elevado. Ou seja, beneficiam-se algumas padarias – as melhores – mas arruina-se o negócio das mais fracas. Alguns chamar-lhe-iam capitalismo selvagem, mas é de socialismo galopante que falamos, quando o factor preço é eliminado da competição.
Mutatis mutandis para o emprego. É um argumento legítimo (de que todavia discordo) dizer-se, por exemplo, que há determinados salários que não são dignos ou certos empregos que não devem existir por terem valor acrescentado muito baixo. Mas não se o objectivo é combater o desemprego. O PS na única medida de facto concreta que apresenta erra o alvo e obteria o efeito contrário: mais desemprego desqualificado e de longfa duração, particularmente nos mais novos e nos mais velhos.

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