Chico

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro

Nasceu no dia de hoje há 69 anos Francisco Buarque de Hollanda.

Lembro-me bem da primeira vez que ouvi este vinil que está lá em casa, tocado pela minha mãe. Coitada, fiquei redondamente indiferente. Nem a tentativa de me mostrar o incrível poema por detrás de Construção ou a finta à censura do que praticamente é um salmo chamado Cálice me demoveram. O disco voltou para o armário, para ser trocado no gira-discos pelo bem mais simpático Mingos e os Samurais – ainda assim mágico à sua maneira para quem sabe de facto onde fica Valbom e a Areosa.

Mas o Chico voltou e era inevitável que voltasse. Em saudosas tertúlias (saudosas mesmo, caramba. Manel e Penedo quando é que nos tornámos fatelas para deixar essas vidas?) em que nos encontrávamos à vez em casa uns dos outros tocava-se o melhor da discoteca dos pais e a Bossanova entrava cada vez mais. Jobim, Vinicius e João Gilberto abriram as portas ao fim do preconceito: havia música brasileira que não era foleira – volta Chico estás perdoado! E voltou e nunca mais saiu.

Na sua versão feminina, na sua versão política. Na versão de teatro musical, na sua versão italiana. Operário ou amante, sambista ou duetista, Chico nunca se engana. É um esquerdalha, mas caramba, todos temos defeitos. E a cada nova faceta que descubro aumenta a admiração – e se ouvem a música dele leiam os livros. O homem não falha.

Fui vê-lo há uns anos ao Coliseu. Espero voltar a ter a oportunidade. Vou me consolando com os discos e com a prosa.

Parabéns Chico!

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