Ainda as contas de Mário Centeno

Ainda na sequência do que escrevi aqui, sobre as escolhas orçamentais de Mário Centeno, vale a pena ler o que escreveram  João Miranda e Carlos Guimarães Pinto.

João Miranda também conclui, analogamente ao que eu havia escrito, que «mil milhões de euros serão canalizados para aumentar os salários da função pública e o rendimento de reformados que ganham mais de 4000 euros e para os donos de restaurantes». O Carlos faz algumas contas para mostrar que «um só pensionista milionário vê o seu rendimento aumentar tanto com este orçamento como 500 famílias da classe média».

Mas se no meu texto se lia que «o aumento dos outros impostos indirectos afecta duma forma difícil de avaliar todos os que os paguem, directa ou indirectamente» a verdade é que essa análise é possível e há números para olhar para esse impacte.

É o que fez Pedro Romano num post que vale a pena ir ler na totalidade. A consequência que retira é idêntica ao que aqui e nos textos citados se escreveu: «parece-me mais ou menos óbvio que o OE é altamente regressivo. As principais medidas de estímulo beneficiam sobretudo o último quintil [de rendimentos, os 20% mais bem pagos em Portugal]. As medidas compensatórias são neutras do ponto de vista distributivo». E porquê? Porque «As medidas de consolidação implementadas de 2010 e 2014 foram, na sua generalidade, extremamente progressivas».

O problema foi a geringonça ter, acriticamente, passado quatro anos aos gritos contra tudo o que foi feito.  Agora, revertendo de forma igualmente acrítica tudo o que foi feito, coloca os altamente privilegiados (o termo é de Mário Centeno) no topo dos benefícios orçamentais.

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