Palavra dada, palavra cumprida!

Hoje que é 1 de Dezembro, o primeiro Primeiro depois das eleições, vejo algumas pessoas a evocar António Costa que terá, dizem, faltado à sua palavra.

Palavra dada, palavra cumprida!

Palavra dada, palavra cumprida!

De facto, o primeiro-ministro havia prometido, no caso em Junho, que este ano o 1/12 já seria feriado. E quem hoje se lembra disso anda aí a dizer, maliciosamente, que Costa não é um homem de palavra. Eu gostaria de recontextualizar e de lembrar que naturalmente aquela promessa só se poderia considerar caso Costa tivesse ganho as eleições. Não ganhou, siga o fait-divers que há coisas mais importantes a fazer – já se acabou com as taxas moderadoras nos abortos e com a prova dos professores, agora sobra o resto.

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Da memória

A 25 de Novembro de 1975, Mário Soares não jantou em casa. Nem sequer em Lisboa. Temendo pela vida, cito o site do Partido Socialista, foi com colegas da Comissão Permanente do PS pedir protecção ao brigadeiro Pires Veloso. (…)

O resto aqui, hoje no Expresso Online.

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Foi Berlim libertada pelo exército vermelho?

A indignação do dia, pelos vistos, é com um cartaz da JSD. E como todas as indignações do dia é ridícula. O cartaz em questão mostra Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa com dois símbolos do comunismo atrás de si: Lenine e o exército vermelho. Ora como todos sabemos, não se brinca com Lenine nem (muito menos!) com o exército vermelho.

"Estou bem assim, Luís?"

“Estou bem assim, Luís?”

Sobre Lenin nem me vou debruçar. O fundador da União Soviética e da Checa deixou na história um rasto de sangue e de miséria que fala por si. Não sei se Catarina Martins gosta dele ou não, mas també não vou investigar. Até porque as mais violentas reacções são à foto atrás de Jerónimo, com a bandeira soviética hasteada no Reichstag alemão em 1945. Porque, dizem, se trata da libertação de Berlim e a JSD não sabe o ridículo a que se expôs.

A sério?

Eu não sei se quem escolheu a foto sabia ou não o que ela representa, é para o lado que durmo melhor. Mas ela é bem escolhida se o propósito é associar Jerónimo ao regime soviético (se essa associação é justa ou não é outra questão). Nem o PCP nem Jerónimo de Sousa alguma vez se distanciaram dos crimes soviéticos e em particular dos crimes do exército vermelho. E se é um facto que Hitler foi derrotado no momento em que esse exército chegou a Berlim, vindo de Leste, é um reescrever da história chamar-lhe libertação ou celebrar esse dia. É que trocar um ditador – por muito horrível que fosse, como foi o caso de Hitler – por outro – e Estaline jogava com Hitler na liga dos crimes contra a humanidade – não é propriamente ficar livre ou ficar melhor. É trocar uma bota com uma suástica por outra com uma foice e martelo. As duas pisam a liberdade e a vida. Para o povo é igual.

O exército vermelho, nesse sentido, foi apenas visto como um exército libertador na propaganda da RDA, regime em que questionar o exército vermelho ou o partido comunista (o local ou o soviético) dava direito a uma simpática visita às caves da polícia política. Para os povos que ficaram do lado de lá da cortina de ferro, o fim da Segunda Guerra Mundial foi apenas um episódio numa longa travessia pela opressão que se iniciará com a chegada dos Nazis e só terminaria com o fim dos regimes comunistas. Não é por acaso que polacos, checos, estónios, etc, etc, façam questão de desde a verdadeira libertação acabaram com os monumentos estalinistas que os ocupantes lhes deixaram (até acho mal, mas adiante, estamos a tentar comprovar um sentimento).

Insinuar, chamando-lhe libertação, que a chegada do exército vermelho foi libertadora para o povo de Berlim é revisionismo e mostra uma enorme falta de respeito pelas vítimas dos soviéticos. Refira-se por exemplo as 100000 mulheres violadas pelo soldado vermelho que depois o seriam novamente pelo regime comunista da RDA que proibia qualquer crítica ao ocupante – ao contrário da RFA onde a tematização dos crimes cometidos no pós-guerra foi feita. Mal acabou a RDA, aliás, Berlim mudou o nome a uma rua em particular. A Strasse der Befreiung – Rua da Libertação – no que fora Berlim-Leste mudou de nome em 1992 – dois anos depois da reunificação, três depois da queda do Muro.

Que raio de regime livre constrói um muro para impedir o seu povo de procurar a liberdade? Pois. A associação da JSD está bem feita.

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Das manifestações pagas pelo contribuinte

aqui escrevi sobre o que andaram hoje a fazer as camionetas da autarquia comunista de Montemor-o-Novo (que não deveriam ser camionetas dos comunistas, mas adiante). Do que entretanto me apercebi, foi de várias pessoas (obrigado redes sociais) a falar de escolas encerradas um pouco por todo o país. (Odivelas, p.ex., as Secundárias da Póvoa, mas também o Clara de Resende no Porto).

Foi uma greve a modos que meia camuflada. Não tenho registo de nenhuma notícia prévia à dita nem há muitas do próprio dia dela, ainda que aparentemente muitos alunos e suas famílias tenham sido afectados.

Investigando melhor lá encontrei um pré-aviso de greve. Então porque é que fecharam as escolas? Porque os trabalhadores da administração local (como os auxiliares das escolas) foram a isso autorizados pelo STAL «essencialmente (sic!) no sentido de participar na acção de luta convocada pela CGTP-IN», razão que levou à convocação da greve – essencialmente, claro.

E depois?

E depois os que efectivamente quiseram ir à manifestação puderam contar com as suas câmaras, pelo menos as do Partido Comunista, para os levar. É a dupla (bastante una, diga-se) PCP-CGTP no seu melhor: greve convocada, autocarros mobilizados e eis se monta uma manifestação em que estão funcionários públicos que deveriam estar a trabalhar, trazidos por camionetas que deveriam estar a servir quem as paga – os munícipes. Estas manifestações não fruto da organização e da caixa dos sindicatos ou do esforço do manifestantes. O “povo” só está ali porque é pago pelo contribuinte: para faltar ao trabalho e para se deslocar. E para avançar uma agenda partidária particular.

Para mim valem zero.

De Évora vieram no mínimo 10…

 

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Como trabalha o Partido Comunista no poder

Acaso o leitor conta com o transporte escolar em Montemor-o-Novo para o seu-dia-a-dia? Então hoje não conte muito. Por levar os boys comunistas a Lisboa, as camionetas da Câmara Municipal (do Partido Comunista) estão hoje ocupadas demais para as crianças do concelho. Mas é por uma boa causa, causa do povo, dos trabalhadores e do partido: a manifestação é da CGTP e visa garantir o controlo comunista das empresas de transportes. É o estado ao serviço do partido, e pelo partido, tudo!

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(via facebook de Duarte Marques)

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Ainda não há acordo – mas quando houver vai ser espectacular

Hoje no Expresso online:

Em todo o caso tudo aponta que esse acordo estará para breve e que produzirá fabulosas políticas para o país. Depois de quatro anos de malvados agentes do neo-liberalismo no governo, é um acordo forjado entre socialistas dos bons (de esquerda, não como Soares que era um perigoso direitista), marxistas, estalinistas e trotzkistas (diga estes dois nomes seguidos sem se rir que Estaline está a chorar) que vai salvar Portugal e pôr o país a crescer e o desemprego a baixar. Coisa que já acontece há dois anos, mas não se deixe levar por pormenores.

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Jogo de Sombras

Carlos César hoje, à saída duma reunião com o Ministro dos Assuntos Parlamentares, aproveitou para fazer um ponto-de-situação sobre o acordo de governo da esquerda. “O” acordo.

E, reiterando o que António Costa dissera logo na noite eleitoral, explicou que o PS ainda não fixou o seu voto quanto às moções de rejeição do Programa de Governo porque só as acompanhará se tiver uma alternativa viável. Ora «como não está nenhum acordo fechado», não há [ainda] «uma alternativa duradoura e estável». São palavras responsáveis e que mostram que o PS não esquece o que disse logo após as eleições. E mostra também que Cavaco tinha razão quando indigitou Passos Coelho para formar governo. Afinal, até ao dia de hoje e até se produzir dito acordo, o governo liderado pela coligação que ganhou as eleições ainda tem a sua aprovação garantida, porque o PS não viabilizará nenhuma moção de rejeição ao programa. Amanhã será diferente? Pois possivelmente, se o acordo existir – eu acho que vai existir. E claro que César está sobretudo a falar para o PCP, p.ex., para o pressionar. Para o BE, para que este deixe de divulgar as medidas acordadas. Ou para a oposição interna para a baralhar. Tudo o que se vai dizendo ao longo deste processo tem múltiplos destinatários, o último dos quais o eleitor que se vê parvo perante o circo montado.

Por fim o que se demonstra das palavras de Carlos César é que, mais uma vez, António Costa foi algo impreciso nas palavras que usou, desta feita quando foi a Belém falar com o Presidente da República. Costa disse na altura que «estão criadas condições para PS formar Governo que disponha de apoio maioritário na Assembleia da República». Pois aparentemente não estavam. E se cá fora, à imprensa, Costa estaria a falar para o BE e o PCP, para os pressionar, para a oposição interna, para a calar e para a coligação para a desestabilizar, lá dentro António Costa falou ao Presidente da República. Não sabemos o que lhe disse, nem temos de saber. Mas se lhe pintou um quadro que afinal não é exactamente o que tinha no atelier, então pode estar mal a relação entre o líder do segundo partido mais votado e o Presidente da República.

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Perguntas pertinentes (I)

Aparentemente a Feira Popular de Lisboa vai para Carnide. Informação muito importante, em destaque em todos os media nacionais. Mas ninguém coloca a pergunta pertinente: vai ter salão de festas?

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Isabel Moreira e os votos na direita

Isabel Moreira aparentemente anda preocupada com Paulo Portas a quem terá escrito uma “carta aberta“. Tirando as considerações pessoais e a linguagem algo, enfim, radical, resulta interessante perceber a evolução mental de Isabel Moreira nas últimas semanas.

É que a mesma Isabel Moreira há semanas escrevia (depois de dizer que a descida da Rua Morais Soares tinha sido histórica e que não havia espaço – depois viu-se nas urnas que teria a mente toldada):

No dia 4, votar PCP ou votar BE, é votar na coligação de direita. Não é nem patriótico, nem de esquerda,

e que para expulsar a direita era preciso votar no Partido Socialista. Ficamos portanto a saber que, ao contrário de Portas, que p.ex. em 2009 admitira várias vezes governar com o PSD, para Isabel Moreira o que vale antes das eleições não vale depois. Antes das eleições era importante garantir que ninguém votasse em Bloco ou PC para tirar de lá “a direita”. Depois das eleições adapta-se o resultado ao objectivo pretendido e retroactivamente promovem-se os ditos votos na direita em votos na esquerda. Como se sentirá um eleitor do PS que seja que votou nos socialistas com base nestas palavras de Isabel Moreira? Terá aprendido a lição?

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#Publicobem

Ainda sobre a questão do tira-teimas do Público, chamaram-me a atenção que o Público emendou o seu texto. De facto agora escreve no fim:

Luís Montenegro está factualmente correcto, pois refere-se ao facto do presidente da Assembleia ter sido proposto e eleito com o apoio do partido mais votado, mesmo quando não saiu das suas fileiras. Mas já por duas vezes a segunda figura do Estado emanou de uma bancada que não era a maioritária.

 

Houve o cuidado de clarificar o texto ainda que eu tivesse alterado a avaliação para “talvez”. Mas ainda assim, #Publicobem

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